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Saúde São Paulo

Startup produz em tomate molécula para o tratamento do colesterol ruim

Projeto teve apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP

25/08/2021 12h50
Por: Redação Fonte: Secom Estado de São Paulo
Foto: Reprodução/Secom Estado de São Paulo
Foto: Reprodução/Secom Estado de São Paulo

Elton Alisson | Agência FAPESP– Pesquisadores da startup paulista Crop Biotecnologia desenvolveram uma plataforma para expressar em tomate peptídeos (moléculas de aminoácidos que compõem as proteínas) para o tratamento de doenças crônicas.

Por meio da plataforma, os pesquisadores já obtiveram um peptídeo para o tratamento do colesterol por via oral, que inibe a pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) – molécula que degrada receptores no fígado responsáveis por capturar colesterol ruim (LDA) da circulação sanguínea.

Desenvolvidas por meio de um projetoapoiadopelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, a plataforma e a molécula estão em processo de patenteamento e já despertaram o interesse de licenciamento por duas indústrias farmacêuticas e de investimento por um fundo deventure capital.

“Por meio de entrevistas que realizamos na fase final da participação no programaPIPE Empreendedor, conseguimos obter duas cartas de interesse de indústrias farmacêuticas e a assinatura de umterm sheet[acordo de pré-investimento] com um fundo deventure capital”, disse Lucas Ribeiro, cofundador e diretor científico da Crop Biotecnologia, em palestra no encerramento da 18ª turma do programa de capacitação em empreendedorismo de alta tecnologia.

Antes de participar do PIPE Empreendedor, a ideia dos fundadores da empresa era cultivar tomates que expressam o peptídeo inibidor da PCSK9, liofilizá-los e fornecer o produto na forma de um extrato em pó para indústrias do segmento de nutracêuticos e de alimentos funcionais. O aditivo pode ser encapsulado em uma matriz vegetal também desenvolvida pela empresa e integrante da plataforma, que confere maior estabilidade do peptídeo ao pH estomacal, permitindo que seja administrado via oral, e aumenta a absorção intestinal.

Ao conversar durante o treinamento com representantes de 47 empresas, eles constataram, contudo, que o mercado de nutracêuticos é 30 vezes menor do que o farmacêutico. Além disso, teriam de superar barreiras de regulamentação, por ser tratar de um produto obtido por engenharia genética de um fruto.

“Com base nessa constatação, começamos a olhar para o mercado farmacêutico, em que o peptídeo tem alto potencial de comercialização”, relatou Ribeiro.

De acordo com estudos de mercado, o segmento de medicamentos para redução de colesterol cresce 3% ao ano e deve atingir o valor de US$ 37,7 bilhões em 2027. Os principais medicamentos existentes hoje para essa finalidade são as estatinas e os anticorpos monoclonais.

Ao conversar com representantes da indústria farmacêutica e potenciais investidores, porém, os empreendedores constataram que a plataforma para desenvolver peptídeos terapêuticos com administração via oral teria mais valor do que somente a molécula para o tratamento de colesterol alto.

“Para os potenciais investidores, seria interessante que nossa plataforma abrangesse outros peptídeos terapêuticos”, afirmou Ribeiro.

A partir dessa dica, os empreendedores fizeram um rastreamento de peptídeos terapêuticos utilizados que poderiam ser desenvolvidos por meio da plataforma e identificaram 95.

A maior parte desses peptídeos é administrada de forma injetável e eles apresentam potenciais riscos de complicações na aplicação. Além disso, o custo de produção é muito alto.

O custo para sintetizar por via química apenas 100 miligramas do peptídeo inibidor da PCSK9, por exemplo, é de cerca de R$ 70 mil.

“As entrevistas que fizemos durante o PIPE Empreendedor nos deram novas ideias para tentarmos obter provas de conceito mais rápidas e expressar outras moléculas já validadas por meio da plataforma que desenvolvemos”, ressaltou Ribeiro.

A estratégia de licenciar a plataforma também possibilita ganhar mais fôlego para novos projetos, avaliouAruã Prudenciatti, CEO e cofundador da empresa.

“Foi uma alternativa que vimos para superar o “vale da morte” de startups de biotecnologia, que levam anos para desenvolver um produto e gerar receita. É fundamental ter saídas no meio do caminho, como o licenciamento de tecnologias que gerem capital para reinvestir em outras ideias”, afirmou.

Interação com o mercado

Ajudar as startups a girar em outras direções e testar novas hipóteses – pivotar, no jargão do empreendedorismo – é um dos principais objetivos do curso oferecido pelo PIPE-FAPESP desde 2016.

Foram treinados ao longo dos cinco anos de existência do curso representantes de quase 400 startups apoiadas pelo PIPE-FAPESP, em diversas áreas de atuação e com alto potencial de crescimento.

A última edição reuniu pesquisadores fundadores de 21 startups nos segmentos de agritech, construtech, industrial, logística, healthtech e biotech.

“O objetivo do programa é oferecer treinamento para que os empreendedores acessem e interajam com o mercado e consigam aumentar suas redes de relacionamento comerciais”, diz Marcelo Nakagawa, membro da Coordenação da Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP e um dos coordenadores do programa.

Os participantes são estimulados durante o treinamento a entrevistar cem potenciais clientes, parceiros e usuários da tecnologia que estão desenvolvendo para evoluir seus modelos de negócios.

O evento pode ser assistido na íntegra emhttps://fapesp.br/15023.

Este texto foi originalmente publicado porAgência FAPESPde acordo com alicença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia ooriginal aqui.

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